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Identidade digital no Brasil: CIN, gov.br e onboarding

Identidade digital no Brasil: 55,8 milhões de CINs emitidas, mais de 170 milhões de contas no gov.br e como tirar a sua. O que muda no cadastro.

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Identidade digital no Brasil: CIN, gov.br e onboarding

A identidade digital brasileira já tem escala: o Ministério da Justiça contabiliza 55,8 milhões de Carteiras de Identidade Nacional (CIN) emitidas até 12 de junho de 2026, e o gov.br reúne mais de 170 milhões de contas. Para quem cadastra clientes, o documento ficou mais fácil de conferir, mas a pessoa que o apresenta continua sem prova.

Carteiras de Identidade Nacional emitidas no Brasil, acumulado: 17,7 milhões em dezembro de 2024, 20 milhões em fevereiro de 2025, 39 milhões em novembro de 2025 e 55,8 milhões em junho de 2026. Fonte: Secom, MGI e Ministério da Justiça

O total de CINs triplicou em 18 meses, de 17,7 milhões no fim de 2024 para 55,8 milhões em 12 de junho de 2026. A meta do governo, ajustada em dezembro de 2025, é chegar a 100 milhões até o fim de 2026, e o próprio governo reconhece que ela exige acelerar o ritmo de emissões, hoje em torno de 1,13 milhão por mês. Para quem cadastra clientes, o recado é que o documento novo vai ganhando espaço no funil, mas o RG antigo continua válido por anos.

O que é a CIN e o que ela muda na identidade digital do cadastro?

A Carteira de Identidade Nacional troca o antigo RG por um documento com padrão único em todo o país. O CPF passa a ser o número de identificação nacional, o que acaba com a situação de uma mesma pessoa ter números de RG diferentes em cada estado.

O documento traz uma faixa de leitura óptica no padrão MRZ, o mesmo usado em passaportes, e um QR Code dinâmico. Os dois elementos foram pensados para a conferência automática do documento, sem depender de olho treinado. A versão digital fica no aplicativo do gov.br e é aceita em países do Mercosul.

Existe prazo de transição. Pelo Decreto nº 10.977/2022, o RG antigo continua válido até 28 de fevereiro de 2032. Isso significa que, por anos, qualquer empresa vai receber os dois modelos no mesmo funil de cadastro.

Onde e como tirar a CIN?

O ponto de partida é o portal gov.br/identidade: a pessoa escolhe o estado e é levada ao sistema de agendamento local. A emissão fica com os órgãos de identificação civil de cada estado e do Distrito Federal, e o atendimento é presencial, com hora marcada. Em São Paulo, por exemplo, o agendamento é feito pelo Poupatempo; no Distrito Federal, pela Polícia Civil.

Passo a passo para emitir a CIN: acessar o gov.br/identidade, agendar o atendimento, levar a certidão de nascimento ou casamento, comparecer para a biometria e baixar a CIN digital no aplicativo gov.br ao receber a carteira impressa. Fonte: gov.br/identidade, MGI e Ministério da Justiça, 2026

Na primeira vez, a pessoa leva a certidão de nascimento ou de casamento, em formato físico ou digital. Quem quiser a CNH, a carteira de trabalho ou o título de eleitor dentro da versão digital da CIN deve apresentá-los no atendimento. No posto, os documentos são conferidos e os dados biométricos são coletados.

A primeira via é gratuita. Segundas vias podem ter custo, definido por cada estado, e o prazo para a carteira ficar pronta também varia de um estado para outro. A validade depende da idade: 5 anos para crianças de até 12 anos incompletos, 10 anos entre 12 e 60 anos incompletos e validade indeterminada acima de 60. A versão digital não aparece na hora: depois de receber a carteira impressa, a pessoa baixa a CIN digital no aplicativo gov.br, na seção "Carteira de documentos".

Para quem cadastra clientes, conhecer esse caminho ajuda no atendimento. Quem ainda não trocou o RG pode usar o documento antigo até 2032, e quem emitiu a CIN há pouco tempo pode não ter a versão digital no aplicativo. O cadastro precisa estar preparado para os dois casos.

Quantos brasileiros já vivem dentro do gov.br?

O gov.br reúne mais de 170 milhões de contas e dá acesso a mais de 4,5 mil serviços federais. Quem tem a CIN consegue elevar a conta ao nível Ouro, o mais alto de segurança da plataforma, por validação facial com os dados da carteira, o que dá à conta um peso maior como prova de identidade.

Outro número ajuda a medir o terreno. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 89,01% dos cerca de 158,8 milhões de eleitores aptos a votar em 2026 já tinham biometria cadastrada (141,3 milhões de pessoas), contra 82,78% em 2024. A biometria deixou de ser exceção e virou dado que a maior parte da população já forneceu ao Estado.

O efeito prático para o negócio é duplo. O cliente chega ao cadastro com documento melhor e já acostumado a se identificar por selfie. E o fraudador chega com a mesma facilidade, porque o passo a passo da identificação também ficou mais conhecido.

Documento válido não prova quem está do outro lado

Um documento autêntico responde a uma pergunta: "esse documento existe?". O cadastro precisa de outra resposta: "quem está me mostrando esse documento é a pessoa dona dele?". São perguntas diferentes, e a fraude vive no intervalo entre elas.

A fraude aproveita esse intervalo de três maneiras:

Situação O que acontece
Documento verdadeiro, pessoa errada É o roubo de identidade: dados e imagens de uma vítima real usados por outra pessoa.
Documento verdadeiro, pessoa que não existe como cliente É a identidade sintética, montada com pedaços de dados reais para parecer um cliente novo e limpo.
Documento verdadeiro, rosto falso Imagem gerada ou injetada no lugar da câmera, tema que a Zarv tratou em deepfake no onboarding: liveness sozinho não basta.

Isso vale para qualquer setor que cadastra pessoas pela internet: financeiras, seguradoras, locadoras, plataformas de mobilidade e RH. Em todos eles o documento é o começo da conversa, e a decisão depende do que se sabe sobre a pessoa além dele. Quanto melhor o documento, maior a tentação de parar a análise nele. É o erro mais caro do cadastro digital: aprovar rápido o que parece em ordem e descobrir o problema na primeira parcela vencida ou no primeiro sinistro.

Como usar CIN e gov.br no onboarding sem abrir a porta para fraude?

A regra de bolso é tratar a identidade digital como uma entrada de dado, não como veredito. Durante a transição, aceite CIN, RG antigo e CNH sem criar fricção para nenhum deles, e confira o documento na origem sempre que o formato permitir: a faixa MRZ e o QR Code dinâmico existem para isso. Compare o rosto do documento com uma captura ao vivo, lembrando que a prova de vida tem de resistir a vídeo injetado, não só a foto impressa.

Depois, defina o que cada nível de confiança libera. Uma conta com nível mais alto no gov.br pode reduzir passos, mas não deve zerar a análise de risco em operações de valor alto. E registre a evidência do que foi apresentado e do que foi conferido, porque auditoria e contestação chegam meses depois.

Vale combinar também o que acontece depois do cadastro. Identidade confirmada na entrada não diz nada sobre o comportamento do cliente seis meses depois, e é nesse intervalo que aparecem atraso de pagamento, uso indevido do bem e fraude de primeira parte. Por isso o desenho do fluxo deve prever uma etapa de acompanhamento, e não só a de entrada. O objetivo é conciliar duas metas que costumam brigar: conversão e segurança. A verificação de identidade bem desenhada tira etapas do cliente bom e concentra a atenção no que foge do padrão.

Onde a Zarv entra

Na jornada da Zarv, a identidade digital é a porta da etapa de verificação: o Zarv ID entrega a decisão de risco sobre quem está se cadastrando, já traduzida para a decisão de aprovar ou não. Depois da entrada, o Zarv Signal acompanha o contrato e sinaliza mudanças de comportamento ao longo do tempo. Para operações de crédito, veja a solução da Zarv para crédito.

Perguntas frequentes

Como e onde tirar a CIN?

Pelo portal gov.br/identidade: escolha o estado, agende o atendimento presencial no órgão de identificação civil e leve a certidão de nascimento ou de casamento. A primeira via é gratuita. Depois de receber a carteira impressa, a pessoa baixa a versão digital no aplicativo gov.br.

A CIN substitui o RG em todos os cadastros?

Substitui, de forma gradual. O RG antigo segue válido até 28 de fevereiro de 2032, conforme o Decreto nº 10.977/2022. Na prática, o cadastro da sua empresa precisa aceitar os dois documentos durante anos e conferir cada um conforme o formato, sem tratar o modelo antigo como suspeito por padrão.

Conta Ouro no gov.br dispensa a verificação de identidade da empresa?

Não dispensa. A conta Ouro é um sinal forte de identidade, mas quem responde pelo risco da operação é a empresa que aprova o cliente. O ideal é usar o nível da conta para simplificar passos em casos de baixo valor e manter a verificação completa nos demais.

Biometria cadastrada no TSE pode ser usada para validar clientes?

A biometria cadastrada na Justiça Eleitoral é regida por regras próprias, e qualquer uso fora delas exige base legal à luz da LGPD. O número do TSE serve aqui como retrato do país: a população já está habituada a se identificar por biometria, o que favorece a selfie no cadastro digital.

Selfie e documento bastam para aprovar um cadastro?

Bastam para confirmar que existe um documento e um rosto, não que o rosto seja de uma pessoa presente. Sem prova de vida resistente a vídeo injetado e sem análise de risco sobre o histórico, a selfie com documento é só o primeiro passo do cadastro e não a decisão final.

Conclusão

A CIN e o gov.br deixam o cadastro mais padronizado, e isso é bom para quem vende. O ganho só se sustenta quando a empresa continua perguntando se a pessoa por trás do documento é quem diz ser. Veja o Zarv ID rodando no seu fluxo de cadastro.


Fontes: Ministério da Justiça e Segurança Pública, balanço de emissões da CIN (dados até 12/06/2026); Secretaria de Comunicação Social, balanço de 2024 (17,7 milhões); Ministério da Gestão e da Inovação, declarações sobre a CIN (fev/2025 e nov/2025) e memória da reunião da CEFIC (dez/2025); gov.br/identidade, orientações para emissão da CIN (2026); Serpro e MGI, dados do gov.br (2025 e 2026); Tribunal Superior Eleitoral, biometria do eleitorado (2024 e 2026); Decreto nº 10.977/2022.

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