Sinistralidade do mercado de seguros no Brasil
Quanto das receitas de prêmio o mercado devolveu em sinistros nos últimos 12 meses nos principais ramos regulados pela SUSEP. Calculado a partir da base completa do Sistema de Estatísticas (SES), com dados até agosto de 2026.
Sinistralidade = sinistro ocorrido ÷ prêmio ganho, soma dos últimos 12 meses publicados.
Resumo geral por segmento (12 meses)
Valores nominais e taxa regulatória| Segmento | Prêmio ganho (12m) | Sinistro ocorrido (12m) | Sinistralidade (12m) | 12m anteriores | Variação |
|---|---|---|---|---|---|
| Automóvel — casco | R$ 37,4 bi | R$ 23,3 bi | 62,2% | 60,1% | +2,0 pp |
| Automóvel — RCF-V (terceiros) | R$ 14,3 bi | R$ 9,5 bi | 66,7% | 64,2% | +2,5 pp |
| Transporte de carga | R$ 5,7 bi | R$ 3,0 bi | 53,9% | 52,1% | +1,8 pp |
| Seguro garantia | R$ 4,7 bi | R$ 1,0 bi | 21,5% | 20,4% | +1,1 pp |
| Prestamista (seguro de crédito pessoal) | R$ 21,8 bi | R$ 4,0 bi | 18,4% | 18,6% | −0,2 pp |
Automóvel
Casco (colisão, roubo e furto), danos a terceiros (RCF-V) e demais coberturas e assistências.
Automóvel — casco
62,2%Colisão, roubo e furto do próprio veículo. É o maior ramo de danos do país e o que mais concentra fraude de sinistro.
Automóvel — RCF-V (terceiros)
66,7%Responsabilidade civil facultativa: danos que o segurado causa a terceiros. Costuma rodar com sinistralidade acima do casco.
Crédito & Garantia
Garantia de contratos públicos e privados, fiança locatícia e crédito comercial.
Seguro garantia
21,5%Garante o cumprimento de contratos públicos e privados em licitações e execuções de obras/serviços.
Transportes, Aéreo & Marítimo
Transporte nacional e internacional de cargas (RCTR-C, RC-DC), aeronáutico e marítimo.
Transporte de carga
53,9%Transportes nacional e internacional, RCTR-C e RC-DC — coberturas onde o roubo de carga e desvio de rota pesam diretamente.
Outros Segmentos
Demais ramos e coberturas do mercado segurador.
Prestamista (seguro de crédito pessoal)
18,4%Por que a sinistralidade importa
É o placar do underwriting: não mede quanto a seguradora vendeu, mede se ela precificou certo. E chega com atraso — uma decisão ruim tomada na cotação só aparece aqui meses depois, quando o sinistro já aconteceu e a carteira já foi formada.
Dois vazamentos empurram o número para cima: risco mal precificado na entrada e sinistro fraudulento pago por falta de prova. No Brasil, bilhões de reais em sinistros são suspeitos por ano, e apenas uma fração chega a ser formalmente comprovada.